Transformação e Transmutação – qual a diferença?
Para começar a explicar um pouquinho sobre o que essa coluna trata...
Sabe que a Química é um manancial inesgotável de metáforas para a vida, né? Ela explica mecanismos, a relação de uma substância com outras e os motivos pela falta de relação entre elas. Sabe o que fazer para facilitar um processo, para retardar outro, a temperatura certa que não estraga os ingredientes, o tempo de "cozimento", entre várias outras coisas.
A Reação Química, por exemplo. A Substância A reage com a Substância B – as duas desaparecem e surgem as substâncias C e D, como nas reações de Dupla Troca, por exemplo. Coisa técnica, não importa tanto conhecer os detalhes, mas vale a pena entender um conceito aqui: a Transformação.
A Coisa A, na presença da Coisa B, oferece parte de si para uma contraparte desta segunda Coisa... em outros casos, há um rearranjo com a mudança de forma, um espreguiçar molecular que facilita o acoplamento químico. A questão é: A e B desaparecem enquanto "entidades A e B" e outras coisas surgem. São transformadas em C e D ou apenas em E (passando ou não por C e D), como várias peças de LEGO, que agora são uma casinha e amanhã serão um avião.
Transformar é isso: é deixar de ser o que se é e virar outra coisa.
Mas e conosco? Será que a gente se transforma internamente ao longo do tempo? Será que partes de nós servem de matéria-prima para geração de outras coisas ainda em nós? Será que algo de mim some quando uma coisa nova em mim aparece?
Eu tenho a impressão que não. Eu tenho a impressão que não nos transformamos, mas nos transmutamos.
Entendo a Transmutação como uma evolução gradativa e ininterrupta daquilo que somos essencialmente. No processo de autoconhecimento e abocanhamento de partes nossas ainda desconhecidas, a verdadeira essência ou prima matéria do indivíduo se revela de forma mais pura. Aquilo que antes limitava deixa de atrapalhar o caminho e uma versão mais elevada e refinada de mim emerge, ainda conectada à essência original.
A Transmutação é a purificação daquilo que impede que toquemos e expressemos nossa essência, aquilo que temos de mais autêntico. É um salto para fora que nos leva para dentro.
Transformar implicaria na obliteração daquilo que somos para construção de uma nova versão... já pensou ter que desmontar e montar tudo de novo? Ninguém merece... Transmutar apenas esclarece cada peça, exaltando suas qualidades e aparando seus defeitos, numa expansão constante, no fortalecimento infinito, na facilitação de nossos processos. É mais divertido assim…
É por isso esse nome: Trilha da Transmutação.



